segunda-feira, 12 de julho de 2010
CCN NOVA RAÇA
Na madrugada do dia 12/07 por volta das 05:00h, um vento muito forte colocando cerca de 40% do galpão do CCN Nova Raça no chão.
Esta é a hora dos gaúchos tradicionalistas, AETC E MTG, estenderem a mão, unindo esforços para ajudar o CCN Nova Raça em um grande mutirão.
Lembramos Glaucus Saraiva: "Os gaúchos são amigos e os tradicionalistas são irmãos" pensem nisto!
LEVANTA GAÚCHO
TODOS PRECISAM ANDAR
MINUANO ESTÁ CHAMANDO
E O RIO GRANDE PRESCISA ESCUTAR
NÃO PODEMOS SE ENTREGAR PROS HOME
MAS DE JEITO NENHUM AMIGO E COMPANHEIRO
NÃO TÁ MORTO QUEM LUTA E QUEM PELEIA
POIS LUTAR É A MARCA DO CAMPEIRO
***
O REGRESSO DO VIAJANTE
O REGRESSO DO VIAJANTE
Em plena rua pergunto-me, onde
está a cidade? Desapareceu?
Talvez seja esta, tem casas,
tem paredes, mas não a encontro.
Não se trata de Pedro nem de João,
nem daquela mulher, nem daquela árvore,
a antiga cidade está enterrada,
enfiou-se num espaço subterrâneo
e vive outro tempo, outra vida,
ocupando a margem das ruas,
e com um número idêntico de casas.
(BR 116 em 1958 e atualmente)
Compreendo então que o tempo existe,
que existe, mas não entendo
como aquela cidade que teve sangue,
que teve tanto céu para todos,
e de cujo sorriso ao meio-dia
um cesto de ameixas se entornava,
daquelas casas de odor a bosque
recém-cortado com serra de madrugada,
que cantava junto à água
das serrações das montanhas,
tudo o que era seu era meu,
da cidade e da transparência
se fechou no amor como um segredo
e caiu no esquecimento.
(AV.Inconfidência com Av. Santos Ferreira, antes e atualmente)
Agora onde estou outras vidas há,
outra razão de ser, outra austeridade:
tudo está certo, mas porque não existe?
Por que razão aquele aroma dorme?
Porque se calam aqueles sinos
e a torre de madeira se despediu?
(Correios rua Frei Orlando esq. XV de Janeiro, antes e atualmente)
Casa por casa desmoronou-se em mim
a cidade, com adegas destruídas
pela vagarosa umidade, pelo passado,
derramou-se em mim o azul da farmácia,
o trigo acumulado, a ferradura
dependurada na correaria,
em mim caíram seres que procuravam
como num poço a água negra.
(Vila Fernandes, Av Venâncio Aires, antes e atualmente)
Então que faço aqui, que vim fazer?
Aquela que eu amei entre as ameixas
no violento estio, clara
como um machado brilhando com a lua,
a dos olhos que mordiam
como ácido o metal do abandono,
partiu, sem que partisse de verdade,
sem mudar de casa nem de fronteira,
partiu de si mesma, caiu para trás
no tempo, mas não nos meus braços
quando abria, talvez, aqueles
que apertaram o meu corpo, e me chamava
ao longo, talvez, de tantos anos,
enquanto eu noutra esquina do planeta
me afundava na minha longínqua idade.
(Rodoviária de Canoas 1967 e atualmente)
Para voltar à cidade perdida
socorrer-me-ei para nela entrar.
Devo encontrar em mim os ausentes,
aquele odor da estância,
o trigo que ondulava na encosta
e que continua a crescer em mim,
em mim devo viajar à procura
daquela que a chuva levou,
não há outro remédio,
doutra maneira nada viverá,
eu próprio devo cuidar daquelas ruas
e dalguma forma decidir
onde plantar as árvores novamente.
(Rua Dr. Barcelos esq Av. Coronel Vicente, antes e atualmente)
POESIA O REGRESSO DO VIAJANTE DE PABLO NERUDA
FEITA PARA VALPARAISO, CHILE
MAS PARECE QUE FOI FEITA PARA NOSSA CIDADE
PELA SEMELHANÇA GEOGRÁFICA E CULTURAL
DOS POVOS AMERICANOS.
***
sexta-feira, 9 de julho de 2010
quinta-feira, 8 de julho de 2010
URUGUAY NÃO MORRE DE MORTE NATURAL, É PRECISO MATÁ-LO
Uruguay
Não
sei se todo desgarrado comunga da mesma simpatia pelo Uruguai, pois
relações de vizinhança despertam sentimentos esquizofrênicos. Mas neste
sábado, quando Uruguai acaba de ir-se para as quartas de final da Copa,
divido com vocês um texto assinado por Gabriel Izidoro, do Jornal
Pioneiro, de Caxias do Sul. O cara é colega da Xu, minha parceira aqui do
blog.Um texto tão verdadeiro quanto delicado sobre os castelhanos.
Celestial
“O Uruguai é todo errado. O Uruguai faz siesta. O Uruguai usa papel
carbono nos seus bancos sem porta giratória e seguranças de olhar
malicioso. Lembra do papel carbono? O Uruguai leva duas horas para
terminar uma refeição. O Uruguai tem um presidente cuja única posse
declarada é um Fusca 87.
Albert Einstein e Stephen Hawking ensinam que o tempo é a quarta
dimensão. Eles nunca foram além de Aceguá, senão descobririam a quinta:
o tempo uruguaio. O tempo uruguaio, assim como a subida do morro, é
diferente. Você já tentou pedir informação ou as horas _ só as horas _
no Uruguai? A crônica em que se transformará a resposta é um dos
indícios de que eles têm uma dimensão paralela para a charla. O Uruguai
preza a lentidão das pequenas satisfações.
Tanto quanto os imensos dramas. O Uruguai tem memória para os
personagens, mas acredita que nenhum homem é maior que sua façanha.
Alcides e Obdulio deram um Maracanazzo ao país, mas não os nomes a
gerações e gerações seguintes de seus filhos. O Uruguai acha que todo
mundo é mais ou menos igual.
No tempo uruguaio, há pobreza, mas não miséria. Há necessidade, mas não
vilania. Nem idolatria. Um médico pode caminhar tranquilamente pela
rambla de Carrasco, seja ele ex-presidente ou detentor de um Oscar.
No tempo uruguaio há pausas _ para comer, atravessar a rua ou tomar um
mate. O Uruguai acha que todo mundo é mais ou menos igual, exceto quem
não toma mate ou, quando sua gente atravessa a fronteira ao norte,
restaurante que não oferece pão de cortesia. Mesquinharia com pão é
algo que definitivamente não pertence ao tempo uruguaio.
Como outras coisas tampouco. E quando coisas de mundos diferentes
colidem dá problema. O futebol uruguaio, por exemplo, foi corroído
quando se encontrou com o futebol moderno. Do jeito que o futebol
moderno é. Incompatíveis.
Ainda bem que o Uruguai é todo errado. O time que está na África do Sul
vem da quinta dimensão. De um lugar em que os jogadores não se escondem
para comemorar as vitórias com parrillada, nem reclamam da bola. E onde
o técnico, além de convidar os adversários a assistir seus treinos
abertos, divulga a escalação com dois dias de antecedência. Onde ganhar
importa menos que ser bravo.
Claro que soa mais romântico do que prudente. Mas medo é algo que definitivamente não pertence ao tempo uruguaio.”
segunda-feira, 5 de julho de 2010
ARROIO ARAÇÁ - O NOSSO RIO GURI
OS ARROIOS
Vão pulando e cantando dentre as pedras.
Fazem borbulhas d'água no caminho: bonito!
Dão vau aos burricos,às belas morenas,
curiosos das pernas das belas morenas.
E às vezes vão tão devagar
que conhecem o cheiro e a cor das flores
que se debruçam sobre eles nos matos que atravessam
e onde parece quererem sestear.
Às vezes uma asa branca roça-os, súbita emoção
como a nossa se recebêssemos o miraculoso encontrão de um Anjo...
Mas nem nós nem os rios sabemos nada disso.
Os rios tresandam óleo e alcatrão
e refletem, em vez de estrelas,
os letreiros das firmas que transportam utilidades.
Que pena me dão os arroios,
os inocentes arroios...
(Mario Quintana)
domingo, 4 de julho de 2010
NA BUSCA DA IDENTIDADE CULTURAL

(GAÚCHOS CANOENSES)
A GRANDE PROPOSTA DO MINHA QUERÊNCIA É FORMATAR UM PAINEL DO RIO GRANDE REGIONAL INTEGRADO AO CONTINENTE AMERICANO. BUSCAMOS A SEMELHANÇA NOS TERMOS REGIONAIS, CRENÇAS E USOS E COSTUMES DE CADA UM DOS POVOS DA GRANDE PAMPA E DA AMÉRICA LATINA, PRINCIPALMENTE OS POVOS CAVALEIROS, DA GRANDE TRIBO DO PÉ NO ESTRIBO.
(GAÚCHOS)
A HUMANIDADE AO LONGO DOS TEMPOS FALA DOS PASTORES CAVALEIROS NÔMADES, COMEDORES DE CARNE, AGRESSIVOS, DOMADORES, VALENTES, LEAIS E FRANCOS. O USO DO CAVALO PARA TRANSMITIR UMA PSICOLOGIA ESPECIAL AO CAVALEIRO.
TÁRTAROS, MONGÓIS, COSSACOS, BEDUÍNOS, ANDALUZES, CAMPINOS, CAW-BOYS, CHARROS, LLANEROS, HUASOS, GAUCHOS, VAQUEIROS, BOIADEIROS, PANTANEIROS E GAÚCHOS TODOS SÃO IRMÃOS, TODOS SÃO FUNDAMENTALMENTE IGUAIS, TODOS SÃO FEROZES DE PÁTRIA E FRONTEIRA.
(ANTONIO AUGUSTO FAGUNDES)
(GAÚCHOS)
QUIXOTE
MAGRO
DE OLHOS FUNDOS,
SACUDIDO DE SONHOS.
SECO E RETO COMO UMA LANÇA.
ALMA DO QUIXOTE CRUZANDO O CAMPO.
AGUDA COMO PONTA DE FACA CAMPEIRA.
CAMPEIRO EM SUA VIDA AMERICANA.
ALMA REVOLTA DE LOUCURA SANTA
ARRASTA PELA SANTIDADE DA CORAGEM,
FALANDO À INDIADA XUCRA PELO RUGIDO DO SANGUE.
(HUASOS CHILENOS)
MAGRO,
DE OLHOS FUNDOS,
SACUDIDO DE SONHOS
GRANDE COMO UM PEDIDO DE JUSTIÇA.
FORTE COMO UM ANSEIO DE LIBERDADE.
DOMADOR DE SONHOS ATREVIDOS,
PALANQUEANDO OS DIAS EXIGENTES,
PARA TORNÁ-LOS DÓCEIS À IMAGINAÇÃO.
A GAUCHADA POE O PÉ NO ESTRIBO E SAI,
A FACE GRANDE DE RESPEITO E AMOR,
EM PÓS DO QUIXOTE
PRA MAIOR DAS GAUCHADAS.
(CHARROS MEXICANOS)
_ FAZER A MORTE TREMER DE MEDO
E ENTREVERAR-SE COM A ETERNIDADE.
(SILVIO DUNCAN)
(GAUCHOS ARGENTINOS)
QUIJOTE
FLACO,
DE OJOS HONDOS,
SACUDIDO DE SUEÑOS.
SECO Y RECTO COMO UMA LANZA.
ALMA DEL QUIJOTE CRUZANDO O CAMPO.
AGUDA COMO PUENTA DE FACA CAMPEIRA.
CAMPERO EN SU VIDA AMERICANA.
ALMA REVOLTA DE LOCURA SANTA,
ARRASTA POR LA SANTIDAD DEL CORAJE,
HABLANDO AL INDIAJE CHÚCARO POR EL RUGIDO DE LA SANGRE.
(GAUCHOS ARGENTINOS)
FLACO,
DE OJOS HONDOS,
SACUDIDO DE SUEÑOS.
GRANDE COMO UN PEDIDO DE JUSTICIA.
FUERTE COMO UM ANHELO DE LIBERDAD.
DEOMADOR DE SUEÑOS ATREVIDOS,
PALANQUEANDO LOS DIAS EXIGENTES,
PARA TORNALOS DÓCEIS E LA IMAGINACIÓN.
EL GAUCHAJE PONE EL PIE EN EL ESTRIBO Y SALE,
LA FEZ GRAVE DE RESPETO Y AMOR,
EN POLVOS DEL QUIJOTE,
PA LO MAYOR DEL GAUCHAJE.
(GAUCHOS URUGUAIOS)
_ !HACER LA MUERTE TEMBLAR DE MIEDO
Y ENTREVERARSE CON LA ETERNIDAD!
(SILVIO DUNCAN)
(GAUCHOS URUGUAIOS)
"LOS HERMANOS SEAN UNIDOS
PORQUE ESA ES LA LEY PRIMERA,
TENGAN UNIÓN VERDADERA,
EM CUALQUIER TIEMPO QUE SEA,
PORQUE SE ENTRE ELLOS PELEAN,
LOS DEVORAM LOS DE AFUERA"
(DECIMA DE MARTIN FIERRO)
(LLANEROS VENEZUELANOS)
"A ULTIMA COISA QUE O POVO ENTREGA AO OPRESSOR É A LINGUA. ANTES DA LINGUA VÃO SE AS TRADIÇÕES, OS COSTUMES, O CONCEITO DE HOMEM E DA VIDA, AS CRENÇAS AS SUPERTIÇÕES E OS RITOS".
(HUGO WENCESLAU)
(CAVALEIROS DA PAZ EM PASO ZAMORA, FRONTEIRA
ENTRE A ARGENTINA E O CHILE EM MEIO DACORDILHEIRA ANDINA)
(ELTON SALDANHA ENTRE AS MONTANHAS ANDINAS)
(HOMENAGEM AOS 20 ANOS DOS CAVALEIROS DA PAZ)
BATENDO NA MARCA DE SER REGIONAL
BATENDO NA MARCA DE SER REGIONAL
Como
podemos isolar, ignorar os nossos traços regionais? Nossos usos e costumes?
Nossa fisiologia? Um modo característico de ser, agir e pensar. Por uma cultura
que está a milhares de quilômetros de distancia.
Como
podemos pensar igual de uma mesma maneira, sem ter um censo crítico, só porque
isto é moda e uma moda massificada.
Grifes,
marcas, modas e rótulos será que isto não é uma forma de colonialismo cultural?
Será que ao entender o dialeto da terra, principalmente da sua terra não
constitui-se num canto universal
“CANTA A TUA ALDEIA E SERÁS UNIVERSAL”
(TOLSTOI)
Se
cantar a minha terra, eu canto o regional, o regional de meu pais, eu faço
parte da cultura nacional, como o meu pais faz parte de um continente, a sua
cultura se torna parte importante nem contexto continental e automaticamente
junto com a cultura regional de outros estados e países se torna “universal”, e
esta cultura terrunha, é patrimônio da humanidade. E não é moda suplantada de
momentos nem por marcas ou grifes.
Portanto
tem raiz profunda e a seara é vasta, brotam e rebrotam valores regionais e só
saber colher.
Logicamente
este é um pensamento simplista e também estamos em 2010 e não pregamos
preconceitos bairristas, até porque nem todo regional é de boa qualidade e
partimos do principio que as pessoas devem conhecer todas as manifestações
culturais, principalmente a sua regional, até mesmo como forma de separar o
joio do trigo, de classificar aquela que é qualificada ou a que nivela por
baixo, que enlata o pensamento e aniquila a forma de pensar, ser e agir do ser
humano. Isto é uma questão de atitude.
(José Luis Biulchi de Souza)
sábado, 3 de julho de 2010
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